Arte: Desenhos são feitos por eles, que são analfabetos
Distante da dissonância das ruas, das fumaças provenientes das fábricas, da civilização e do cotidiano ensandecido de milhares de brasileiros. É assim que sobrevive uma família fixada no Maranhão-há poucos km da localidade formosa- MA, ao atravessar do rio Parnaíba, que separa o Piauí das terras maranhenses.
No rol de membros, os familiares são_Sr. De Paula, João Batista –“o vaqueirinho”-, Bernardo José, Raimundo Francisco, Bernardo Filho, Francisco das Chagas, Maria do Rosário. Eles vivem como nos tempos primitivos, longe de tudo e de todos, sem assistência médica, sem amigos e tendo até um “certo” medo quando pessoas como eles os visitam na fazenda onde mora. No local, eles aderem a auto sustentabilidade, onde diversas plantações, como de arroz, entre outros, e a criação de gado, garantem o sustento dos mesmos.
Ao chegar ao solo onde moram fomos recebidos pelos senhores De Paula e João Batista, “o vaqueirinho” . Já os demais correram para seus quartos escondendo as faces em buracos feitos nas paredes e, mesmo com muita insistência, não deu para se ter uma conversa e nem para contemplar os rostos dos mesmos.Além disso, ficou notável os trajes completamente rasgados, feitos de sacos. Mas os receptivos contaram sobre suas vidas, sem fazer lamúrias, e relataram que a vida é difícil, porém nada de planos para se deslocarem dali.
É realmente interessante a vida deles, que naquela tarde estavam cozinhando carambolas para o jantar. A persistência nossa era grande, mas o que conseguimos subtrair dos que estavam escondidos foram pequenos grunhidos, que não se dava para entender. Mas outro fato real eram as artes expostas nas paredes da casa. Desenhos lindíssimos feitos à mão pelos considerados “primitivos”. Seu pai os chamou de matutos, pela questão de eles não aceitarem conversas. Num meio completamente arcaico onde a tecnologia e o analfabetismo imperam, eles não demonstram preferência pela modernidade e nem se quer, a conhecem. Eles não tinham registro de nascimento e nem identidade, mas, a prefeitura da cidade de São Bernardo-MA enviou um serviço itinerante para realizar este serviço. Além de dar um dia de beleza para eles, que tinham os cabelos grandes demais, deixando-os com um visual até mais higiênico.
O Senhor de Paula e “vaqueirinho” nos mostrou toda a fazenda. Uma vontade imensa me veio de tomar banho na lagoa em minha frente, só que para minha tristeza, ele me informou que eles estavam criando jacarés naquele lugar. A propriedade ofusca a pequena casinha que podemos chamar de “tapera” por conta de sua deteriorizada estrutura que, eles afirmam ficar em baixo d água durante os invernos anuais. O que é lamentável.
Chegar na fazenda foi como passar por um labirinto, mas foi gratificante conhecer os costumes antiquados de seres humanos iguais a nós, mas que com essas diferenças se tornam atrações para os estudantes dos mais variados níveis de ensino do Piauí e Maranhão.
Ajudas serão muito bem vindas. Para entrar em contato e dar qualquer ajuda, basta entrar em contato com os estudantes do curso de Letras/Português da UESPI de Luzilândi, na rua João Quariguazi, no centro da cidade. Os acadêmicos farão uma nova visita à propriedade.

3 comentários:
parabens pelo trabalho de vcs
nao chegaram posando de carrão
foram bem rústicos
e conseguiram fazer esse trabalho maravilhoso
Lucas, que tal um ensaio sensual na Fazenda desolada? Você poderia "encarnar" um Indiana Jones e dar um mergulho no lago infestado de jacarés, ia ficar massa!!!!!
Sorte deles não viver em metrópoles estressantes como São Paulo.
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